REVISTA TERRA MÃE: Cacau baiano vira ouro

Matéria Produzida pela SDE para Revista Terra Mãe Ano 5, Nº 5. Para ver a revista completa clique aqui.

CADEIA PRODUTIVA BAIANA LIDERA TAMBÉM NO SETOR INDUSTRIAL, com seis fábricas processadoras, que geram 1,2 mil empregos diretos, além do maior evento de chocolate da América Latina, o Chocolat Bahia Festival

O cacau da Bahia vai além das 123 mil toneladas produzidas por ano e lidera nacionalmente, também, no setor industrial. A diversidade da cadeia produtiva baiana é tamanha que prevê a criação do primeiro polo de Chocolate de Origem do país, em Ilhéus, que pode impulsionar a economia. O mix da produção vai do cacau fino, chocolate artesanal e gourmet a nibs do fruto. No estado, os seis empreendimentos do setor que são incentivados pelo governo, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDE), juntos, já injetaram quase R$ 312 milhões em investimentos e geram 1,2 mil empregos diretos. O forte da industrialização do cacau localiza-se na região Sul, mas também tem presença marcante na capital da Bahia e já ‘exportou’ até loja artesanal para Paris.

De acordo com a Associação Nacional das Indústrias Processadoras de Cacau (AIPC), o Brasil possui sete fábricas instaladas processadoras de cacau, sendo seis na Bahia – uma em Salvador, quatro em Ilhéus e uma em Itabuna – e uma em São Paulo. Além disso, a Bahia é sede do maior evento de chocolate da América Latina, o Chocolat Bahia Festival, que acontece em Ilhéus.

Numa conexão Ilhéus-Salvador- -Paris, com vocação sustentável, a AMMA Chocolate Orgânico investiu R$ 3 milhões para implantação de uma unidade de fabricação de chocolate artesanal. As fazendas de cacau ficam no Sul, nas proximidades de Ilhéus, Itabuna e Itacaré. Na capital baiana funcionam a planta fabril e as lojas temáticas. Para a capital da França, a marca baiana exporta o chocolate e mantém uma loja modelo. “O cacau
que a Bahia e os pequenos produtores produzem, com todo o apoio do Governo do Estado, tem sido fundamental para o desenvolvimento, pois estamos vivendo a reestruturação dessa cadeia, de uma forma sólida, com mais valor e mais respeito a todos os integrantes”, destaca Diego Badaró, fundador e diretor da empresa.

Entre as fábricas que estão implantadas na Bahia, inclui-se também a francesa Barry Callebaut, que possui duas filiais no estado. Maior processadora
de cacau do país e também produtora de chocolate, a empresa investiu R$ 72 milhões em Ilhéus e R$ 26 milhões em Itabuna. Ao todo, o volume de
aporte chegou a R$ 98 milhões na ampliação industrial. O grupo gera 530 postos de trabalho diretos na região.

CHOCOLATE DE ORIGEM

O Polo de Chocolate de Origem planeja conectar no mesmo local entretenimento, tecnologia, cultura e produção, promovendo um mix de experiências
com o cacau. “Será inovador e revolucionário, concentrando várias marcas de chocolate, produtos derivados do cacau, centro de pesquisa, espaço para reunião e palestras, um pequeno laboratório, sala de exposição, pequeno museu e outras atividades. Um projeto que não existe em nenhum complexo de chocolate no Brasil”, destaca Marco Lessa, idealizador do projeto.

Marco Lessa e Henrique Almeida são sócios das marcas de chocolate Sagarana e Chor. Começaram a produzi-las há quatro anos e, ao perceberem
que a qualidade do produto estava sendo reconhecida e ganhando mercado, passaram a abrir frentes comerciais e aumentaram a produção. Eles
produzem ainda o chocolate Gabriela e devem lançar em breve outra marca para alcançar o mercado nacional e exportação.

O polo deverá ser instalado na ‘Estrada do Chocolate’, a BA-262, que é um dos destinos turísticos da Bahia. Esta é a primeira rodovia temática do estado, cujo trajeto vai de Ilhéus a Uruçuca, com dois pórticos: um na ‘Terra de Gabriela’ e outro na BR-101. No percurso, os turistas têm acesso à cultura do cacau e à produção do chocolate, por meio de visitas a fazendas existentes, com sítios históricos, rios, cachoeiras e áreas de preservação ambiental.

O sabor do chocolate da Bahia ganha o mundo
Foto: Ascom/Setur