ENTREVISTA: Ponte SSA-Itaparica é pauta da Revista Rodovias & Vias

A história conta que o Brasil nasceu na Bahia. Deste modo, nada mais justo que um país que recusou render-se à uma grande crise, tal como uma fênix, ressurja imponente em seu próprio berço, cercado de uma grande expectativa, facilmente traduzida em números. Compondo o gatilho de um renovado ânimo, o certame realizado pelo governo baiano na mais importante bolsa de valores nacional, dá o tom do que – espera-se – está por vir neste 2020, ao inaugurar o que já se convencionou nominar como “as grandes licitações”, iniciativa verificada e paulatinamente levada a cabo, tanto na esfera Federal, quanto pelos estados mais avantajados da república. Especificamente no caso baiano, é digno de nota o registro de que se trata de mais do que uma retomada. Antes, é o ressarcimento de uma dívida histórica com uma população que cresceu em diversos aspectos, a ponto de
tornar-se a referência inconteste da porção nordeste: “A obra vai mudar o patamar de desenvolvimento do estado, elevando o índice de renda e de empregabilidade da população. Também não tenho a menor dúvida ao afirmar que a ponte representará um grande crescimento de investimento
imobiliário numa das áreas mais bonitas da Bahia”, avaliou o governador Rui Costa (PT/BA), para quem os trabalhos representarão ainda, um “desenvolvimento ambientalmente sustentável das cidades que compõem a ilha de Itaparica, o Recôncavo e o Baixo Sul do estado”.

NOVO CÁLCULO DA ROTA

Com 12,3 Km, e contemplando, de fato, um complexo muito maior (a ponte está incluída no “Sistema Viário do Oeste”, que prevê a implantação dos acessos ao dispositivo em Salvador, por túneis e viadutos, a ligação à BA-001 em Vera Cruz, juntamente uma nova rodovia expressa, e a interligação com a Ponte do Funil, a ser revitalizada), as obras serão capazes de encurtar o acesso entre alguns municípios e a Capital em pelo menos 100 Km,
de acordo com o vice-governador e secretário de Desenvolvimento Econômico João Leão. Segundo ele, o empreendimento classificado como “um novo vetor de desenvolvimento para a Bahia”, tem potencial para dobrar a receita do estado, um salto significativo dos atuais cerca de R$ 44 bilhões, para os mais de R$ 80 bi estimados para quando a estrutura estiver entregue, com previsão para janeiro de 2025. “Este projeto já tem meio século. Vários governadores tentaram e não conseguiram, mas agora ela sairá do papel”, definiu o vice-governador, que ainda adicionou que a “bonitona” (apelido por ele cunhado), será a segunda maior ponte da América latina, beneficiando de imediato 10 milhões de pessoas em 250 cidades das regiões oeste, sudoeste, sul e extremo sul, gerando, durante sua construção por volta de 7 mil empregos diretos. Também muito atuante neste movimento fundamental, o secretário estadual de Infraestrutura, Marcus Cavalcanti, destacou que a PPP, que prevê a gestão e administração da ponte por 30 anos, com investimento de R$ 6 Bilhões (total) e R$ 1,5 bilhão de contrapartida do estado, é mais um de diversos projetos “engatilhados” para este ano, adiantando que o governo planeja solicitar a concessão do Aeroporto de Porto Seguro, além de viabilizar a recuperação de 750 km de rodovias: “temos um ano de 2020 com grandes perspectivas”, resumiu.

A TURMA DO “C”

Não é exatamente uma novidade o apetite que o Brasil tem provocado recentemente no exterior, especialmente entre os investidores chineses. Assim, os conglomerados vencedores, que atendem pelo nome de “Consórcio Ponte Salvador Itaparica”, e formado por China Railway 20 Bureau Group Corporation – CR20; CCCC South America Regional Company S.A.R.L – CCCC SOUTH AMERICA e China Communications Construction Company Limited – CCCCLTD, sinalizam uma movimentação mais consistente de representantes da imensa nação asiática em direção ao segmento de infraestrutura no Brasil (assumindo uma postura mais ativa do que a de observadores, adotada por executivos da Própria CCCC quando de outra ocasião na B3, o leilão de exploração da MS- 306, vencido pelo “Consórcio GLP”), algo que ficou mais evidente em declarações de Lin Li, Chief Executive Offi cer da CCCC: “o Governo do Estado da Bahia colocou bastante garantias pela parte pública, então viabiliza o projeto. Nós do consórcio faremos a nossa contribuição para trabalharmos junto com o Governo do Estado para executar a obra e realizar o sonho do estado da Bahia”. Ao que parece, há um novo ritmo para aquecer os tamborins. Presumivelmente, com o enredo dos próximos anos, a ser cantado também em mandarim.

Fonte: Revista Rodovias & Vias