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03 janeiro 2019

Salada de frutas baiana cria empregos e engrossa PIB

Dez tipos de frutas da Bahia estão entre as mais produzidas no país; Setor emprega cerca de 44 mil trabalhadores

Quem começa o dia tomando um copo de suco de frutas está, mesmo sem saber, ajudando a alavancar um dos principais cultivos agrícolas do estado. Espalhada por praticamente todos os nossos 564,7 quilômetros quadrados, a fruticultura é uma das atividades econômicas mais consistentes da economia baiana. Somos os principais produtores nacionais de 10 tipos de frutas e ocupamos honrosos segundo e terceiro lugares em várias outras. É um setor que emprega 44 mil pessoas, tanto na agricultura familiar como na agroindústria, na produção e processamento, segundo dados do Ministério do Trabalho (2017).

De acordo com o Censo Agropecuário do IBGE (2017), a Bahia lidera a produção de amêndoa de cacau, cajarana, coco, fruta do conde ou pinha, graviola, umbu, jaca, licuri, manga e maracujá. O estado está em segundo lugar no cultivo de atemoia, cupuaçu, lima e limão; e terceiro em banana, carambola, goiaba, mamão, melancia, melão, pitanga, romã e uva de mesa. Ao todo, 34 produtos da fruticultura baiana têm importante participação na economia nacional.

“Por estarem em praticamente todo o território baiano, as atividades de produção e processamento de frutas têm grande potencial de promoção da descentralização do desenvolvimento social e econômico”, explica Ricardo Vieira, diretor de Desenvolvimento Industrial e Mineração da Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDE).

No Brasil, o mercado é promissor como um todo. De acordo com o Cenário Hortifruti Brasil 2018, estudo inédito realizado pela Abrafrutas (Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados), a fruticultura ocupa uma área de 2,4 milhões de hectares e emprega 6 milhões de pessoas em todo o país. Ou seja, 27% dos postos de trabalho gerados pela produção agrícola nacional. A fruticultura é uma atividade que precisa em média do trabalho de 25 pessoas a cada 10 hectares cultivados. Como comparação, a produção de soja gera um emprego em área equivalente.

Na Bahia, além do bom desempenho do PIB agropecuário nos últimos anos, o setor também é importante gerador de empregos com carteira assinada. Em 2017, o Ministério do Trabalho computou 43.708 trabalhadores formais na cadeia produtiva da fruticultura baiana, deste total, 36,1 mil (82%) postos estão no campo e outros 7,5 mil (18%) estão vinculados à agroindústria de frutas. 

Na parte agrícola da cadeia, o maior número de empregos concentra-se na produção dos principais frutos exportados, notadamente cacau, café, uva e manga, que juntos somam 22,7 mil postos de trabalho, cerca de 62% do total de empregos da fruticultura baiana. Segundo Luiza Maria, secretária de Desenvolvimento Econômico, a fruticultura tem importância ímpar no processo de transformação social: “Pois, além de realizada com dinamismo em várias regiões do estado, abrange tanto o agronegócio como a agricultura familiar, recebendo total apoio do Governo do Estado”.  

Em relação aos produtos da agroindústria ligada à fruticultura, a Bahia produz desde refrigerantes até café solúvel, passando pelos sucos e pelos vinhos do Vale do São Francisco. O segmento de fabricação de refrigerantes na Bahia emprega quase 30% dos trabalhadores formais. Em seguida, a agroindústria do cacau é responsável por cerca de 18% dos empregos e fabricação de sorvetes, por 11%.  

A fabricação de sucos (concentrados e não-concentrados) e refrescos equivale a cerca de 20% dos empregos. Chama atenção a atividade de fabricação de vinho, que ocupa 8º lugar em geração de empregos na agroindústria da fruticultura, consolidando o êxito da fruticultura irrigada na região do São Francisco.  

Exportação

O café também gera empregos após a sua colheita, com um total de 743 trabalhadores, a maior parte nas atividades de torrefação, moagem e beneficiamento. Ambos os frutos são exportados secos, sem a polpa que os reveste. Assim, a cadeia produtiva do cacau permanece sendo a mais importante para as exportações da fruticultura baiana, equivalente a 53% do valor exportado nos últimos anos ou US$ 870,9 milhões, seguido pelo café, cujos derivados equivalem a 15% das exportações deste segmento agrícola, que totalizou no período US$ 238,6 milhões. 

Também nesse período, as frutas frescas in natura foram responsáveis por 30% das exportações da fruticultura baiana e os seus derivados industrializados correspondem à 2% das exportações da cadeia. A manga também é destaque no valor exportado, com média anual que ultrapassa os US$ 90 milhões, e responde por 65% das divisas obtidas pela fruticultura baiana no período 2015 a 2018. Em seguida, os frutos cítricos, que englobam limões e limas, corresponderam a 15% (US$ 76,6 milhões) das exportações, quase o mesmo montante que as exportações de uvas frescas, que representaram (13% ou US$ 66,8 milhões) no período.  

Em relação aos derivados industrializados das frutas baianas, que incluem sucos, geléias, frutas secas etc, destaca-se o segmento de sucos de diversas frutas que equivale a mais de 90% do total exportado pela agroindústria, tendo injetado cerca de US$ 30 milhões na economia baiana no período.

 

Fonte: Ascom/SDE

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